1º L… – Os melhores da TV na temporada 2010-11 (Indicados)

Antigamente, eu assistia essas premiações de TV e me indignava com as derrotas acumuladas pelas poucas séries que eu via. Não chegava a xingar muito no Twitter (até porque esse não existia), mas torcia o nariz para os supervencedores, como The Sopranos, The West Wing e Frasier, aos quais não tinha acesso, ou simplesmente interesse. Com o passar do tempo, o aumento do número de canais dedicados a séries, o advento da banda larga e um longo período de desemprego (o qual recomendo, se você for herdeiro de uma família de muitas posses, o que decididamente não é o meu caso), comecei a ver mais e mais séries, chegando ao ponto em que tive de criar um arquivo de Notepad para organizar essa grade e lembrar do que eu tinha de ver, quando passava e de que forma eu poderia ver (porque, claro, Sony e Warner adoravam colocar as coisas que eu via nos mesmos horários).

Acabou que hoje eu vejo o Golden Globe ou o Emmy e sei o que exatamente está sendo premiado (ou esnobado) em pelo menos 80% dos casos. Não que eu tenha deixado de chiar com alguns resultados, claro. Mas me vi na condição de listar meus próprios indicados para algo que até hoje eu chamava de “Emmy pessoal”, o que gerava outros arquivos do Notepad (Word é um editor de textos para coxinhas). Servia mais como uma forma (ineficaz) de prestar meu reconhecimento a gente que era constantemente esnobada, bem como de olhar para uma lista de indicados a prêmios de TV e finalmente não ver certas coisas que me desagradavam. E quando eu digo que chamava de Emmy pessoal, é justamente porque decidi homenagear uma dessas figuras esquecidas pelo prêmio da Academia de TV, de uma série igualmente negligenciada, batizando esse novo, imaginário e irrelevante galardão (vai olhar no dicionário, juro que não é gíria pra órgão sexual).

Se o Emmy pode ter nome de mulher, minha premiação também pode. Aliás, vale informar que o Emmy não ganhou esse nome por causa de alguma homônima, mas sim por causa do tubo de imagem que existia nas TVs da época (image orthicon tube), chamado carinhosamente de “immy”. Só não me pergunte por que alguém achou que seria mais carinhoso ainda feminilizar isso, escolhendo o nome Emmy. De qualquer forma, toda essa elaboração serve pra humilhar o Plácido Malaia Nunes e sua total falta de criatividade ao criar o Troféu Imprensa. Pois bem, a minha homenageada é a mulher ideal, a representação fiel de meu imaginário romântico/sexual, a estonteante, irresistível, irretocável e espetacular Lorelai Gilmore, personagem de Lauren Graham na finada série Gilmore Girls. Além de linda, a moça era inteligente, rápida no gatilho, criativa, sarcástica, irônica, sensível, charmosa e elegantemente desaforada. Só tinha um defeito: só existia na ficção. Portanto, de agora em diante, o meu Emmy pessoal passa a ser o Lorelai.

Minha premiação, minhas regras. Para quem não sabe como funciona o Emmy, cada ator deve se inscrever para participar, indicando em qual categoria pretende concorrer. E junto com a inscrição, submete um ou mais episódios. Isso cria uma certa distorção, já que um ator pode estar fenomenal naquele determinado episódio e parecer o Dustin Hoffman do comercial com o Ricardo Macchi em outros. Aqui a intenção é avaliar o desempenho geral do artista, mesmo que, no fim das contas, um grande episódio naturalmente sirva como diferencial. Tomei a liberdade também de definir quem é protagonista e quem é coadjuvante. Sendo que em séries com divisão de tempo em cena muito uniforme (por exemplo, Modern Family), considerei todos como coadjuvantes. Ator convidado? Pra mim, não existe. Quem fez uma ponta, pode até ganhar categoria específica no ano que vem (esse ano deu preguiça de relembrar), quem foi recorrente, entra como coadjuvante. Outra distorção evitada, porque John Lithgow concorreu ao Emmy como ator convidado, mesmo marcando presença em toda a quarta temporada de Dexter.

Por outro lado, cria-se uma nova distorção. A intenção é escolher os indicados entre as séries que acompanho. Portanto, gente que respeito muito, como Jim Parsons e Jane Lynch, não merecerão minha consideração até encontrarem um emprego decente (vai embora não, fã de Glee, fica mais um pouco, que deu trabalho pra escrever esse post). How I Met Your Mother, por exemplo, está inelegível, porque eu só comecei a ver a série esse ano (não me recriminem, já estou arrependido por conta própria) e não cheguei à sexta temporada, que seria a avaliada.

Há também a eterna dúvida com relação às dramédias: são comédias com elementos de drama, ou dramas com momentos cômicos? Para o Emmy, Boston Legal e Gilmore Girls eram dramas, quando sempre as vi como comédias, mesmo que tocassem em assuntos sérios constantemente. Penso que há um ranço de atraso que faz algumas pessoas pensarem que as comédias são, por natureza, obras menores, quando muitas vezes são bem mais complexas e bem sacadas. Por isso, toda série de uma hora de duração acaba se vendendo como drama. Saiba então que Shameless e The Big C foram contadas como comédias. Mesmo que muitas vezes não tenham graça. Mas The Big Bang Theory nunca tem graça, e todo mundo aceita numa boa que é uma comédia (vai embora não, fã de TBBT, fica mais um pouco…).

Você pode estar pensando: “Pera lá, quem esse cara pensa que é? Na mesma semana ele inventa um concurso de miss alternativo e uma premiação de TV? Com que autoridade esse bosta faz isso?”. Eu gostaria de responder, criteriosamente, a essa acusação, mas estou muito ocupado desenvolvendo a minha própria versão do prêmio Nobel.

ps: Anos depois, vi The Sopranos. E até hoje presto reverência à série que é diretamente responsável por toda essa era de ouro que a TV americana vai vivendo já há quase 10 anos. Mal aí, David Chase, não vai se repetir.

Seguem então os indicados ao Lorelai. Na segunda-feira, você confere aqui os vencedores (a premiação mais importante sempre é aquela que anuncia seus resultados mais tarde) e o top 5 de beldades do tapete vermelho do Emmy (OK, eles ainda levam vantagem com relação à cerimônia).

Melhor Série – Drama

Boardwalk Empire (HBO)
Fringe (FOX)
Friday Night Lights (DirecTV)
The Good Wife (CBS)
Justified (FX)
Mad Men (AMC)
Treme (HBO)

A ausência lamentável aqui é a de Breaking Bad, cuja nova temporada só estreou agora em julho. Faço menções honrosas a Terriers e Game of Thrones, que até poderiam estar nessa lista, mas seus pontos fortes foram agraciados em outras categorias.

Melhor Série – Comédia

30 Rock (NBC)
Community (NBC)
Modern Family (ABC)
Parks & Recreation (NBC)
Raising Hope (FOX)
Shameless (Showtime)

Ótimas comédias no ar, mas em número bem restrito. The Office caiu fora porque, tirando a sequência de despedida de Steve Carrell, o resto dos episódios não esteve à altura da série. Quem sabe agora, sob a administração de James Spader…

Melhor Série Estreante

Boardwalk Empire (HBO)
Game of Thrones (HBO)
Raising Hope (FOX)
Shameless (Showtime)
Terriers (FX)

Cinco ótimas séries, altamente recomendadas. Em um ano onde estrearam dezenas de bombas, nem foi difícil selecioná-las.

Melhor Ator – Drama

Steve Buscemi (Boardwalk Empire)
Kyle Chandler (Friday Night Lights)
Josh Charles (The Good Wife)
Jon Hamm (Mad Men)
Hugh Laurie (House)
Donal Logue (Terriers)

Melhor Atriz – Drama

Connie Britton (Friday Night Lights)
Julianna Margulies (The Good Wife)
Kelly McDonald (Boardwalk Empire)
Elisabeth Moss (Mad Men)
Katey Sagal (Sons of Anarchy)
Anna Torv (Fringe)

Melhor Ator Coadjuvante – Drama

Alan Cumming (The Good Wife)
Peter Dinklage (Game of Thrones)
Michael B. Jordan (Friday Night Lights)
Irrfan Khan (In Treatment)
John Noble (Fringe)
Michael Pitt (Boardwalk Empire)
John Slattery (Mad Men)

Atriz Coadjuvante – Drama

Christine Baranski (The Good Wife)
Cara Buono (Mad Men)
Michelle Forbes (The Killing)
Christina Hendricks (Mad Men)
Margo Martindale (Justified)
Archie Panjabi (The Good Wife)
Kiernan Shipka (Mad Men)

Melhor Dupla

Gabriel Byrne e Irrfan Khan (In Treatment)
Kyle Chandler e Connie Britton (Friday Night Lights)
Peter Dinklage e Jerome Flynn (Game of Thrones)
Jon Hamm e Elizabeth Moss (Mad Men)
Donal Logue e Michael Raymond-James (Terriers)
Timothy Olyphant e Walton Goggins (Justified)

Sei que essa categoria soa meio MTV Movie Awards (vocês não perdem por esperar a lista dos indicados a melhor beijo!), mas acho justo premiar a química que certos atores desenvolvem. Sejam formando um casal, pai e filho, uma dupla dinâmica ou antagonistas, alguns intérpretes conseguem carregar episódios e até séries nas costas quando combinados. Exemplos marcantes disso pra mim são James Spader e William Shatner em Boston Legal e Terry O’Quinn e Michael Emerson em Lost.

Melhor Elenco – Drama

Boardwalk Empire
Friday Night Lights
Justified
Mad Men
Terriers
Treme

Nunca entendi direito como funcionam essas premiações de elenco, se contam só o elenco fixo, se levam em consideração todos os convidados que passam pela série também… mas no meu entender, a categoria deveria servir de reconhecimento para aqueles que, mesmo sem terem cacife pra estar indicados nas categorias principais, fazem um bom trabalho e elevam a qualidade de suas séries. Ou seja, minha intenção foi olhar para o conjunto, ver os elencos que são mais equilibrados. Foi assim que The Good Wife, com suas 5 indicações individuais, ficou de fora. Porque pra mim, o resto do elenco da série, embora não faça feio, não se destaca muito. Por outro lado, em Treme, todo mundo merece um abraço pelos bons serviços prestados.

Melhor Episódio – Drama

Friday Night Lights – Always
Game of Thrones – Baelor
Mad Men – The Beautiful Girls
Mad Men – The Rejected
Mad Men – The Suitcase
Treme – Carnival Time

Se você está chiando com a quantidade de episódios de Mad Men, saiba que Breaking Bad pode atingir patamar parecido no ano que vem…

Melhor Ator – Comédia

Alec Baldwin (30 Rock)
Louis C. K. (Louie)
Steve Carell (The Office)
David Duchovny (Californication)
William H. Macy (Shameless)
Joel McHale (Community)

Melhor Atriz – Comédia

Toni Collette (United States of Tara)
Edie Falco (Nurse Jackie)
Tina Fey (30 Rock)
Laura Linney (The Big C)
Mary-Louise Parker (Weeds)
Amy Poehler (Parks and Recreation)

Emmy Rossum fez um trabalho superior a algumas das indicadas, mas não tive a cara de pau de indicá-la como atriz de comédia, se os grandes momentos dela foram todos dramáticos. Fica aqui a minha menção honrosa. E se ela quiser colinho e cafuné, também providencio.

Melhor Ator Coadjuvante – Comédia

Ty Burrell (Modern Family)
Garret Dillahunt (Raising Hope)
Donald Glover (Community)
Nick Offerman (Parks and Recreation)
Chris Pratt (Parks and Recreation)
Danny Pudi (Community)
Eric Stonestreet (Modern Family)

Melhor Atriz Coadjuvante – Comédia

Alison Brie (Community)
Joan Cusack (Shameless)
Jane Krakowski (30 Rock)
Aubrey Plaza (Parks and Recreation)
Martha Plimpton (Raising Hope)
Sofia Vergara (Modern Family)

Melhor Dupla – Comédia

Alec Baldwin e Tina Fey (30 Rock)
Ty Burrell e Julie Bowen (Modern Family)
Ted Danson e Zack Galifianakis (Bored to Death)
Donald Glover e Danny Pudi (Community)
Martha Plimpton e Garret Dillahunt (Raising Hope)
Chris Pratt e Aubrey Plaza (Parks and Recreation)
Eric Stonestreet e Jesse Tyler Ferguson (Modern Family)

Aqui temos exemplos de como uma boa química pode valorizar um ator bem limitado como Jesse Tyler Ferguson. Na mesma Modern Family, Ty Burrell tem uma incrível capacidade de puxar Julie Bowen junto, quando inspirado. Gostaria de poder colocar o entrosamento de John Krasinski com Jenna Fischer e/ou Rainn Wilson nessa lista, mas considero que os roteiristas pecaram muito no tratamento dos três personagens nessa última temporada de The Office.

Melhor Elenco – Comédia

Community
Modern Family
The Office
Parks and Recreation
Raising Hope
Shameless

Melhor Episódio – Comédia

30 Rock – Brooklyn Without Limits
Community – Cooperative Caligraphy
The Office – Garage Sale
The Office – Goodbye, Michael
Parks and Recreation – Harvest Festival
Parks and Recreation – Soulmates

The Office acertou muito pouco esse ano, mas acertou na hora certa e em grande estilo. Já 30 Rock e Parks and Recreation, foram mais regulares.

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