As pessoas mais fascinantes de 2011

Uma das tradições televisivas dos Estados Unidos é o programa onde a jornalista, escritora, apresentadora e tia velha profissional Barbara Walters mostra as entrevistas que fez com quem ela considera serem as pessoas mais fascinantes do ano que está chegando ao fim. Claro que a noção de “fascinante” dela é bem americana, ou seja: são as pessoas que mais fizeram sucesso ou que ganharam espaço na mídia por feitos heroicos ou por passarem por grandes sofrimentos. Tomo a liberdade de trazer para o não-blog a minha lista com quem realmente foi fascinante em 2011. Numa perspectiva galhofeira e absurdista, mas fascinante.

Beto Lee

O homem-vinheta das transmissões do Rock in Rio no Multishow cativou o público com seus pensamentos profundos, concatenando ideias inconcatenáveis ao fazer uso de um vocabulário exemplar, que chegava a ter até umas… doze palavras, vai. Sem função definida por quem dirigiu o desastre televisivo mais divertido de 2011, por vezes Beto apenas entrava em cena para informar que o próximo show iria começar. Mas, em muitas ocasiões, teve a inglória tarefa de falar por um ou dois minutos sobre o que viria pela frente no palco principal do evento. Aí, meu amigo, não saía nada que se aproveitasse. A não ser que você quisesse saber quais discos ele tem em casa ou que guitarras ele acha “iradas”. Vinheta de responsa, Beto Lee também era o responsável por dar a primeira palavra após cada show. E muitas vezes, não conseguia dizer nada além dessa palavra, quase sempre um adjetivo genérico, preferencialmente descabido. Tendo gostado até do show da Ke$ha, consagrou-se como o Caio Ribeiro do mundo da música e dos emaconhados.

 

Bruno Cortês

Chegado do minúsculo Quissamã, Cortês se destacou no Campeonato Carioca pelo pequeno Nova Iguaçu. Acabaria negociado com o Botafogo, onde uma série de boas performances o colocaram no radar do técnico da Seleção Brasileira, Mano Menezes. Convocado para os (sonolentos) amistosos do desafio entre Brasil e Argentina, Cortês mostrou que a amarelinha não lhe é um grande peso, sendo destaque no jogo de volta, em Belém, tendo inclusive participado da jogada de um dos gols que levaram à (inútil) conquista brasileira. Mas não foi a ascensão meteórica ou seu visual peculiar (um jeito simpático de dizer que ele é feio pra caralho) que fizeram do lateral esquerdo uma das pessoas mais fascinantes de 2011. O jogador caiu no gosto popular e ganhou tons foclóricos quando optou por se casar no Habib’s, aquela lanchonete onde todo o cardápio tem gosto de esfiha. Até o refrigerante.Até o bolo de noiva e o bem-casado. Bruno começará 2012 jogando no São Paulo e com a expectativa de se firmar na seleção. Na pior das hipóteses, se ele sumir com a mesma velocidade que apareceu, daqui a 10 anos ainda estaremos dizendo: “Lembra do Cortês? Aquele que casou no Habib’s?”.

 

Charlie Sheen

Como Letterman frisou por várias vezes em seu Late Show, enquanto Charlie Sheen se afundava nas drogas, caía desmaiado em quarto de hotel, batia na esposa e a traía com strippers, porn stars e prostitutas, estava tudo bem. Mas foi só ele xingar o chefe, que a casa caiu. Por muitos anos, Charlie Sheen tinha sido o ator mais bem pago da TV americana, pelo duríssimo trabalho de interpretar o papel de Charlie Sheen em Two and a Half Men. O programa saiu do ar no meio da temporada e seu protagonista foi demitido, iniciando uma guerra verbal onde sobrou para todo mundo envolvido com a série. Dedicado ao propósito de negar as acusações de que fosse dependente do crack, Charlie iniciou um breve passeio por talk shows americanos, onde conseguiu provar que estava mesmo viciado em crack. Chegou até a receber jornalistas em sua casa para colher amostras de sangue e urina fresquinhas, as quais disponibilizou para exames de detecção de uso de drogas (cujos resultados nunca apareceram). Transformado em piada mundial, Sheen ainda teve de aturar a maior humilhação que um homem pode sofrer na vida: ser substituído por Ashton Kutcher (perguntem ao Bruce Willis). Quando tudo parecia perdido (a exemplo da qualidade de sua arcada dentária), o ator deu a volta por cima, pedindo desculpas em pleno Emmy e tendo a boa notícia de que seu novo projeto de série estava aprovado. E até ganhou uma bolada milionária de indenização por ter sido demitido. WINNING. De meio a zero, com gol irregular, mas WINNING.

 

Christopher Chaney

Certamente, você nunca ouviu falar no nome dele. Inevitavelmente, você nunca voltará a ouvir. E provavelmente, você não decorou quando ele virou notícia em tudo quanto é meio de comunicação. Chaney foi o hacker/stalker responsável pelo vazamento das fotos de Scarlett Johansson pelada. Um preocupante passo para a consagração da invasão de privacidade das estrelas de Hollywood, mas um salto gigantesco em prol da satisfação da marmanjada (e parte cada vez maior da mulherada) mundial. O rapaz foi descoberto e vai ter de pagar pelo que fez. Mas na verdade, nós que devíamos pagar a fiança dele, para mostrar nossa eterna e desnuda gratidão.

 

Daniela Albuquerque

Um indivíduo que decide cursar Jornalismo porque leu uma embalagem de Toddynho e enxergou ali um sinal de Deus sempre será uma pessoa fascinante. Mas a robótica apresentadora (e primeira-dama) da Rede TV! deu novos saltos em 2011, ao ganhar lugar em um programa matinal ao vivo, o que deve ser a maior prova de irresponsabilidade vinda de qualquer ser humano que não tenha deixado uma criança trancada dentro do carro com os vidros fechados, debaixo do sol, enquanto saía para fazer compras. E aí, aconteceu de tudo. Chamou a Hebe de sebosa, atendeu ligações telefônicas imaginárias, ouviu de sua co-apresentadora que foi torturante lhe ensinar a fazer TV e relatou os encontros imediatos com um ET que a encoxou com sua “perna fina”. Horário nobre, aí vai a Daniela.

ps: Não, ela não é a mulher que matou um yorkshire. Ela seria incapaz de bater em uma mosca. No máximo, faria o bichinho morrer de vergonha alheia.

 

Espírito de Ayrton Senna

Não bastasse conviver com a culpa de ter aberto as portas para que Adriane Galisteu se tornasse famosa e abraçasse a sua vocação de esgotar todos os modelos televisivos existentes com programas fracassados que raramente chegam a durar seis meses, o fantasma do tricampeão mundial de Formula 1 foi usado de engana-besta nas transmissões das provas da categoria na tela da Globo. Depois de muito tentar, Bruno Senna conseguiu (leia-se: comprou) uma vaguinha na Renault para a reta final da temporada e coube ao tio famoso (e defunto) o papel de garoto-propaganda. Então, pra cada corrida de Bruno, surgiam matérias lembrando Ayrton e coroando seu parente como sucessor, pronto para carregar o legado da família. Bruno Senna até enganou nas primeiras provas, mas caiu de rendimento rapidamente, perdendo sua vaga na Renault e tendo de suar para conseguir (leia-se: abrir o cofre para pagar mais) manter o seu lugar no circo para 2012. Para completar a desgraça, o fantasma de Ayrton Senna ainda encerraria o ano em grande estilo, apresentando ao mundo (dos vivos) a bela canção de amor que fez para a mulher de sua vida, Xuxa Meneghel.E ele ainda escolheu as imagens do clipe!

 

Felipe Dylon

A musa do verão já havia sido notícia nos anos anteriores por ter aparecido em versões gorda e rastafari, mas nunca foi tão assíduo no site Ego (o site mais fascinante da Internet) quanto em 2011. Tudo porque esteve envolvido em um triângulo amoroso com uma moça conhecida por ser a Rihanna com sérias restrições orçamentárias da última novela do Maneco e outra moça conhecida por ser… a namorada de Felipe Dylon. E qual seria a decisão mais natural que alguém que pulou de galho em galho poderia tomar para encerrar um ano de incertezas amorosas? Casando com o galho escolhido, claro. Foi então que Dylon foi alvo da matéria mais intrigante do jornalismo de fofoca brasileiro em 2011: “Felipe Dylon bate um pratão em sua despedida de solteiro“, uma refeição em clima de reflexão. Melhor que isso, só se ele fosse um louva-a-deus imitando John Travolta.

 

Kim Kardashian

Herdeira mimada que se tornou célebre após a divulgação de uma sex tape, Kim é uma espécie de Paris Hilton étnica, morena, bonita, peituda e bunduda. Arranjou emprego pra família toda, já que o clã virou tema de um reality show famoso nos EUA. Como manda a cartilha das attention whores americanas, namorou um atleta. E com ele, seguiu outro passo da cartilha: um casamento cuja preparação da festa durou 17 vezes mais que os sagrados laços do patrimônio. Mas o que torna a mais famosa das Kardashians uma das pessoas mais fascinantes de 2011 é que ela se submeteu a um exame de raio-X para provar que suas nababescas nádegas não são frutos da injeção de todo o silicone que existe nesse mundo. A vida é mesmo feita de sacrifícios para a pequena Kim.

 

Manifestantes ucranianas

Nunca se protestou tanto quanto em 2011. A Primavera Árabe, com intensa participação popular, derrubou (ou pelo menos colocou em xeque) vários governos autoritários e corruptos no Oriente Médio e norte da África. Revoltados com o capitalismo desenfreado de Wall Street, pessoas tomaram o nervoso centro financeiro de Nova York para cobrar por uma economia mais justa e menos desigual. O impacto foi tanto, que a revista Time escolheu “os manifestantes” como personalidade do ano. Mas foram mesmo as peladas ucranianas (e não me refiro a todas as partidas do campeonato ucraniano que não fossem entre Shakhtar Donetsk e Dynamo Kiev) que mais se destacaram. Integrantes do Femen, grupo criado para defender os direitos das mulheres (a um bom fogão de seis bocas e auto-limpante, um bom tanque de azulejo esmaltado e a uma desnecessária variedade de cores de esmalte com nomes esdrúxulos), protestaram de peito aberto, gerando galerias de foto apetitosas semanalmente. Mas antes de se apaixonar por uma delas, lembre: essas moças reclamam de tudo. E dentro de casa, o protesto deve ser feito de dentro de um pijamão surrado mesmo.

 

Mario Balotelli

Para uns, marrento e irresponsável; para outros, autêntico e irresponsável. O Super Mario continua sendo o maior responsável por trazer um pouco de graça ao extracampo de um esporte que anda cada vez mais chato e certinho.Se no passado, já tinha vestido a camisa do Milan enquanto atuava pela Inter e sido preso junto com o irmão ao tentar invadir uma penitenciária feminina, em 2011, Balotelli trocou sopapos durante o treinamento, foi punido pelo técnico por ter se virado de costas para tentar marcar um gol de calcanhar, atirou dardos em jogadores da base do Manchester City, entrou em campo com a camisa velha da seleção italiana, virou hit do Youtube ao tentar vestir um colete de treino, incendiou a própria casa ao soltar fogos de artifício de dentro do banheiro e foi confundido com um ladrão ao voltar à sua residência para buscar alguns pertences. E o melhor de tudo: ele ainda joga muita bola e tem marcado gols importantes para o seu clube. E na goleada contra o rival Manchester United, pôde enfim desabafar: “por que sempre eu?”.

 

Mulher-Maçã

Convenhamos, tirando a Mulher-Melancia, que foi a primeira a surgir, a não ser que você seja muito punheteiro (e de muito mau gosto) você não é capaz de diferenciar as outras Mulheres-Fruta. Não sabe quem é a Mulher-Jaca, a Mulher-Melão, a Mulher-Moranguinho, a Mulher-Filé. É tudo tão confuso, que você até passa a achar normal ver “filé” sendo listado entre frutas. Portanto, há de se reverenciar o feito de Gracy Kelly, a Mulher-Maçã, que aproveitou a morte de seu idolatrado Esteve (sic) Jobs para se diferenciar das outras e se tornar a mulher-fruta da vez. A mulher-fruta antenada, apaixonada por tecnologia e gadgets, a mulher-fruta que decidiu tatuar o símbolo da Apple. A mulher-fruta que chorou muito com a morte do seu ídolo e mentor. Afinal, ele parecia uma pessoa do convívio dela, sabe?. Ah, antes disso, ela já tinha virado notícia, ao apresentar via release o seu novo namorado italiano, que simplesmente não existia. Vai ver foi um app estragado que ela baixou e não lhe caiu muito bem.

 

Princesas Beatrice e Eugenie

Elas usaram esses chapéus no casamento mais aguardado, fotografado e filmado do ano. Isso basta.

 

Robert Rey

Se essa lista já existisse em anos anteriores, o Dr. Hollywood já seria figurinha carimbada. Em 2011, foi responsável por uma das melhores entrevistas já concedidas em todos os tempos, acompanhada por um dos ensaios fotográficos mais espontâneos e elegantes da história. A íntegra, você pode ler no iG Gente, mas destaco os melhores trechos:

“Teve um cara que queria que eu fizesse uma asa nele. E tem muito machão que chega lá, mas machão mesmo, que me pede peito feminino. Mas eu falo: “Peitoral?”. Não, eles querem seios redondos mesmo. Até hoje eu não entendo…”

“Quebrei o braço de um gringo lá em Nova York. Durante um desfile, num teatro gótico superlegal. Saindo do teatro, eu escuto: ‘Rey, quando você vai sair do armário?’. Escutei 150 vezes e sorri, desliguei. Mas foi 151 vezes. Eu tirei meu paletó – claro, não ia estragar meu Versace de US$ 6 mil -, esvaziei meu bolso, tirei meu pó M.A.C., só pra ele ver que eu tinha, e disse: ‘O que você falou de mim? Vou te dar uma surra’. A alta sociedade de Nova York abriu uma roda e viu a luta. Aquele gringo nunca mais vai chamar brasileiro de viado. Todo mundo aplaudiu.”

“Vou te explicar uma vez só: as primeiras mil vaginas são interessantes. As cinco mil já começam a perder um pouco do interessante. Dez mil é 100% técnico. Meus amigos médicos me ligam e falam: ‘se eu vir mais uma mulher pelada eu me jogo do prédio’. Eu estou nas 30 mil! Você acha que minha esposa tem que se preocupar com alguma coisa? A anatomia é simples. A sedução vem daqui (e coloca as mãos na cabeça). Nunca fui desleal com minha esposa e nunca vou ser.”

 

Sarah Sheeva

Ex-Riroca, a filha da ex-Baby Consuelo, voltou à mídia em um papel bem diferente ao que costuma representar quando formava uma banda com as suas irmãs Nana Shara e Zabelê (isso já tá parecendo o refrão de um samba da Beija-Flor). A imagem de sensualidade ficou para trás e agora ela veste figurino de primeira-dama de cidade do interior e se tornou pastora evangélica, de um culto para mulheres que querem deixar de ser cachorras para passarem a ser “princesas”. Na sua pregação, homem não entra (e mulher entra de graça até meia-noite, com direito a clone de chopp). Ela diz que era ninfomaníaca, mas que agora está  há 10 anos sem sexo e 9 sem beijar na boca. E que só treme na base mesmo quando vê o moço que fez o papel de Thor nos cinemas.

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