Palpitão do Oscar 2013

Filme: Argo

Há 23 anos, nenhum filme leva a estatueta principal da Academia sem ter uma indicação de melhor diretor a tiracolo. Curiosamente, a esnobada a Ben Affleck foi o que tornou Argo quase que uma barbada. O filme, que já vinha ganhando umas aqui e ali, levou todas as “prévias” importantes do Oscar. Poucos devem considerá-lo o melhor do ano, mas é difícil encontrar alguém que tenha algo contra ele, isso sempre ajuda. De quebra, em Argo, Hollywood salva vidas. Ou seja…

Torcerei, em vão, por Zero Dark Thirty. Mas só Lincoln parece ter alguma condição de surpreender.

Diretor: Steven Spielberg

Quando a lista dos indicados foi divulgada sem os nomes de Ben Affleck e Kathryn Bigelow, todos se apressaram para dizer que Spielberg ganharia fácil o seu 3º Oscar de melhor diretor. O problema é que Ben Affleck ganhou todos os prêmios importantes que se seguiram e Lincoln se viu quase sempre restrito a vitórias de Daniel Day-Lewis, então não dá para saber se Spielberg está mesmo na frente da disputa. De repente, Ang Lee pode se dar bem por ter conseguido realizar um filme que era considerado “infilmável”. Ou a campanha pesada dos Weinstein consegue fazer de David O. Russell o vencedor. Nem Haneke eu descarto, mas a Academia teria de estar muito apaixonada por Amour.

Estarei na torcida por Kathryn Bigelow. Dane-se se ela não está entre os indicados. Mas se der Spielberg, entenderei que é pelo conjunto da obra e ficarei feliz.

Ator: Daniel Day-Lewis

Única coisa que pode impedir a vitória do menino Lincoln é se muita gente achar exagerado que ele seja o primeiro ator na história a ganhar três Oscars como protagonista (Jack Nicholson venceu três vezes, sendo que uma como coadjuvante). Mas mesmo quem não colocou ele em primeiro na lista de votação, deve ter colocado em segundo (explicando: a pessoa vota colocando os 5 indicados em uma ordem de preferência, podendo deixar espaços em branco). Então, chance dele perder é mínima.

Minha torcida é por Joaquin Phoenix. Mas acho que Hugh Jackman tem mais chances (0.02%, mais ou menos) de ser o grande azarão da noite do que ele.

Atriz: Jennifer Lawrence

A superexposição e o monólogo infeliz no Saturday Night Live (onde ela fazia piada com as suas concorrentes) pode atrapalhar, mas Jennifer Lawrence continua sendo a favorita. Pesa contra ela também a idade, já que muitos podem achar que ela ainda está muito verde para ganhar o Oscar. Ou que ela terá muitas outras chances e que, por isso, Emmanuelle Riva, que completa 86 anos esta noite, merece mais. Sendo que, geralmente, a Academia só premia estrangeiros que têm mercado para aproveitar do novo status em Hollywood. E, claro, muito menos gente deve ter visto Amour, enquanto Silver Linings Playbook tem a tal da campanha pesada junto aos votantes.

Torcerei por Jessica Chastain, mas o Oscar estará bem entregue de qualquer jeito, contanto que não vá para a pirralhinha Hushpuppy.

Ator coadjuvante: Tommy Lee Jones

O bom desta categoria é que você pode apostar sem ficar com vergonha de errar. A não ser que você opte por Arkin, que não tem chances e nem deveria estar ali. Philip Seymour Hoffman nunca pode ser descartado, mas The Master não parece ter sido muito visto. Pode pesar o valor sentimental do retorno de Robert De Niro, cuja última vitória foi antes deste que vos escreve ter nascido, mas acho o personagem muito protocolar para tanto.

Christoph Waltz pode ser considerado o favorito, mas será que darão dois Oscars para ele em apenas duas indicações, justamente por filmes de Tarantino? Muitos reclamam também que ele é o verdadeiro protagonista de Django, o que seria uma trapaça. Tommy Lee Jones está em um filme muito visto, tem respeito dos seus pares e ainda está ótimo em um papel forte e inegavelmente coadjuvante. Por isso, aposto nele. Mas daqui a 10 minutos, já posso ter mudado de ideia. Minha torcida é para Hoffman.

Atriz coadjuvante: Anne Hathaway

Ela é uma queridinha de Hollywood, tem talento, um dos melhores “Oscar clips” da noite, se jogou abertamente (ou desesperadamente?) na campanha para ser premiada e o filme ainda desmorona depois que ela sai de cena. Se perder, será a grande zebra da noite.

Vitória de Hathaway não me desagradará, longe disso. Mas eu preferia que desse Amy Adams.

Roteiro original: Django Unchained

O Oscar de roteiro original é aquela premiação ideal para se adular o diretor-autor que não vai ganhar nada “mais importante”. Foi assim que Cameron Crowe levou por Almost Famous; Sofia Coppola por Lost in Translation; e Tarantino por Pulp Fiction, por exemplo. Sendo que Quentin não teve a mesma sorte com Inglourious Basterds, que perdeu para The Hurt Locker, escrito justamente por Mark Boal, o roteirista de Zero Dark Thirty.

Uma nova vitória de Boal serviria para não deixar seu filme com as mãos abanando. Fora que os mais liberais podem ter usado o seu voto nesta categoria para dar uma tapa em Washington, que fez uma vergonhosa campanha contra o filme, em virtude das (totalmente justificadas) cenas de tortura. Mas como tanto ZDT quanto Django são filmes controversos (eu gostei bastante de ambos), é bem capaz que usem a categoria para premiar Michael Haneke.

Se der Zero Dark Thirty ou Django, eu estou satisfeito. Se pintarem Moonrise Kingdom de zebra, será uma adorável surpresa.

Roteiro adaptado: Argo

Pode acontecer aqui o prêmio menos merecido da noite. Se há algo de ordinário em Argo é o seu roteiro. Não que seja ruim, mas ele não tem absolutamente nada de especial. Lincoln largou como favorito destacado, mas o climão de aula de história parece não ter agradado tanta gente. Hoje, a alternativa mais possível parece ser a vitória de Silver Linings Playbook, como forma de não deixar David O. Russell sem nada. Só que, olhando para as outras categorias, fica difícil acreditar que Argo ganhe melhor filme e só leve mais um prêmio (ou talvez nem isso). Se der SLP aqui, pode ser um sinal de que Ben Affleck não guardará boas lembranças do Oscar de 203.

Ficarei na torcida por Lincoln, mesmo que aquele falatório todo quase tenha me ninado na primeira meia hora de filme.

Fotografia: Life of Pi

Nas premiações precursoras, despontou como favorito. E, realmente, o filme é uma pintura. No entanto, estou na torcida por Skyfall, porque Roger Deakins merece demais a estatueta (é a décima indicação dele, que ainda não venceu). Também não descarto Anna Karenina. A verdade é que pra qualquer um dos três o prêmio está bem entregue. Ainda coloco Django na lista. Só não gostei da fotografia escura demais de Lincoln, embora entenda a sua lógica.

Montagem: Argo

Pode-se dizer que a montagem do clímax de Argo é brilhante, porque deixa qualquer um tenso. E pode-se dizer que ela é medíocre, porque é toda baseada em velhos clichês. Contraditoriamente, acho que as duas teses fazem sentido. Mas o que deve pesar aqui é o fato de que, já que o seu diretor não pode ser premiado, outra categoria nobre terá de ser, para justificar a provável vitória como melhor filme.

Prefiro a montagem de Zero Dark Thirty, que deve ter sido muito mais complexa. Mas se tem gente que acha a caçada final a Bin Laden morosa por ser quase em tempo real (o que para mim é a melhor decisão tomada pelo filme), nada mais me surpreende. Uma improvável vitória da concorrência (Lincoln, Pi ou SLP) nesta categoria pode ser um indicativo de que teremos surpresa em melhor filme.

Direção de Arte: Anna Karenina

Optei por AK porque o elenco parece coadjuvante junto dos cenários do filme, montados quase todos dentro de um teatro e que, em determinados momentos, são trocados diante das câmeras. Por outro lado, isso pode ter irritado muita gente (eu demorei uns 20 minutos para me acostumar com a ideia). Mas todos os indicados aqui têm alguma chance. Les Misérables e Lincoln são excelentes no quesito, apesar do diretor do primeiro esconder os cenários com closes intermináveis em seu elenco.

Figurino: Anna Karenina

Como eu disse ontem no Twitter, esta premiação deveria ser rebatizada como “Melhores anáguas e frufrus”. E é uma categoria onde muitas vezes ganha um filme que não está concorrendo a nada muito grande. Por isso, a aposta em Anna Karenina. Cada vestido de Keira Knightley cobre 10m² quando ela se abaixa por alguma razão (e pense em alguém que se agacha por qualquer coisa!). Mas dependendo do amor por Les Misérables, a maré pode virar para ele. Sem contar que a grife Colleen Atwood (ganhadora de três Oscars) pode tornar Snow White and the Huntsman um filme premiado pela Academia. Melhor não.

Maquiagem: Les Misérables

Ninguém acha mais graça em ver atores transformados em hobbits, né? Muito mais legal ver grandes estrelas do cinema sujas, maltrapilhas e envelhecidas.

Música: Life of Pi

Um filme com poucos diálogos sempre favorece uma boa trilha. Ainda mais em um ano onde a concorrência não esteve lá muito inspirada. Uma vitória de Anna Karenina não me ofenderia. E uma de Argo não me surpreenderia.

Canção: Skyfall

Depois de ouvir a única canção original composta para Les Misérables, a horrorosa “Suddenly”, passei a apostar todas as minhas fichas em Skyfall. Primeiro porque muita gente deve ter ficado ofendida com a tentativa forçada de ganhar este prêmio para Les Mis. Segundo porque a franquia 007 nunca ganhou um prêmio de canção no Oscar, o que é um grande absurdo. E para completar, goste-se ou não da Adele, ela é uma figura curiosa e todos querem ver a sua reação ao vencer. No Golden Globe teve até high five com o James Bond.

Mixagem de som: Les Misérables

Você já deve ter lido/ouvido que todos os atores de Les Mis cantaram ao vivo durante as filmagens, enquanto um ponto passava para eles o som de alguém tocando piano dentro de uma caixa de plástico. Bem, se você não ficou sabendo disso, toda a Academia ficou. E taí algo que foi feito com excelência no filme e até seus detratores têm de admitir. Mas como um dos indicados por Skyfall vai concorrer pela 362ª vez e nunca ganhou (preguiça de procurar, mas acho que é a 16ª indicação dele), tudo pode acontecer. Aliás, o som também é ótimo em Lincoln, Argo e Pi, então nada seria absurdo nesta categoria.

Edição de som: Skyfall

Estou indo contra a maioria, que tem colocado Pi como favorito nesta categoria. Mas tenho esperanças de que as pessoas tenham ficado tão impressionadas quanto eu com a cena do metrô em Skyfall, que seria o seu principal concorrente. E ainda tem Zero Dark Thirty, Argo, Django e suas armas de fogo todas, mas parece pouco para desbancar os favoritos.

Efeitos visuais: Life of Pi

Só digo o seguinte: quem não votou nos efeitos do filme de Ang Lee merece ser jogado em um bote com Richard Parker.

Filme Estrangeiro: Amour

Há quem defenda a tese de que Haneke possa perder aqui, porque o tema do filme é muito desagradável. Não seria mesmo a primeira vez que algo assim acontece nesta categoria. O problema é acreditar que algum dos concorrentes tenha admiradores suficientes para que se arme uma zebra. Eu não vi nenhum dos outros indicados, então vou me abster de maiores comentários.

Animação: Brave

Muitos apostam em Wreck-it Ralph, que é um filme mais divertido e popular. Mas eu fico imaginando o que os mais antigos membros da Academia pensam de um filme sobre videogame, com ritmo alucinante e repleto de referências que eles talvez nem entendam. Fora que Valente, embora não seja aquilo que a gente espera da Pixar, é impressionante tecnicamente. De qualquer forma, estou na torcida por Frankenweenie, contanto que Tim Burton prometa que vai parar de fazer filmes live action. Ah, detalhe importante: os três favoritos são da Disney. Só uma vitória inesperada de ParaNorman faria Mickey Mouse colocar o rabo entre as pernas.

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